domingo, 2 de junho de 2013

Alcoolismo

Memórias de um bêbado


Era enorme o clarão,
um fulgor prateado
de uma luz tão gelada
que a própria alma arrepia.

E um zunido sem som se ouvia
assombrava o uivo do vento
ao ermo tão só e em lamento
terrível silêncio em tormento
angustiava o eterno momento.

No pânico inerte calou
de medo os olhos arregalou
olhar tão vermelho contemplou
pro santo baixinho ele orou,
pois jamais imaginou
que haveria coisa igual
algo tão descomunal
assim tão fenomenal!

Contundentemente anormal
algo de para normal.

...E a luz se aproxima
tão patética sórdida cisma
um prelúdio em cataclismo:

E um ser tão pequenino
parecia até ser menino
deu-se então a entender
quando com voz estridente a dizer
portava uma lanterna na mão
e eu estatelado no chão,
ouvindo o esbravejar da mãe de minha mulher:

-Homem escuta o que eu vou te dizer!
Cria vergonha nesta cara!
E vê se para de beber!


****

O ébrio

Pai!...

Afasta de mim este cálice
que lentamente destrói a minha vida
e me encharca e me humilha
me humilha me envergonha
expondo a minha nudez
deixando-me sem a moral!...

Afasta de mim este vomito do diabo
esta maldita essência macabra
este liquido tão sórdido
que em violência violenta a gente
que faz do são um demente
e da família!

Algo que se humilha.
E de um projeto
apenas dejeto.

Nas vozes que ecoam
vozes que zombam
que zoam...

Vozes caçoam
imprimindo
o estigma
o rótulo

...O ébrio.



Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. -João, 3:16-

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