segunda-feira, 21 de março de 2016

Mimadas Burguesinhas.

Duas lindíssimas jovens viajavam em um metrô e frente a elas assentava-se um belo rapaz, e como não poderia ser diferente, as duas patricinhas tudo faziam para chamar a atenção do rapaz aproximadamente com vinte dois vinte quatro anos de idade...

Risadinhas charminho enquanto o mesmo parecia estar em outro mundo compenetrado em um livro que lia esquecidamente. 

As jovens ao notarem que suas investidas não repercutiam efeito algum resolveram aquietarem-se um tanto frustradas, até que entrou em cena outro personagem.

Tratava-se de uma senhora de vestes simplória, cor negra e trazia consigo um balaio forrado com uma toalha branquíssima e quando esta senhora involuntariamente esbarrou nas jovens, fizeram um repulsivo gesto indignante.

Indiferente a elas, a senhora foi assentar-se ao lado do belo rapaz que se mostrou amável ao ser interceptado pela senhora. 

Tudo corria tranquilamente até que a senhora ignorando todo preconceito daquelas mimadas burguesinhas, resolve oferecê-las um pedaço de pudim de pequi, iguaria que tirara de dentro do balaio e como não poderia ser diferente, foi rejeitado de súbito e ainda por cima fizeram o maior pouco caso tanto da negra como também dos pudins.

Ao perceber a desfeita o rapaz ficou sensibilizado com a cena e pediu a senhora que lhe desse um pedaço na tentativa de recompensar a senhora que deu um gostoso sorriso triunfante, pois aqueles doces eram a sua vida!

Completamente sem graça as moças resolveram assentar-se em outro vagão deixando a velha negra e o belo rapaz em um descontraído bate papo.

__Sabe este bolo que a senhora fez é delicioso!
 __Não é bolo, é pudim de pequi.
__Há alguma diferença?
__Sim!   ...Bolo é bolo. Pudim é pudim!

__ De qualquer forma eles são uma gostosura só não entendo porque a senhora ainda está com o balaio cheio, não são para vender?!
__Eu ia vendê-los na fabrica de sandálias, mas por motivo de falecimento, ela estava fechada, agora não tenho como vende-los de imediato, mas Deus proverá!...

__Proverá sim! Depende da Senhora!
__Como assim? Não estou entendendo!
__Estou lhe propondo um negocio irrecusável, uma sociedade...

__Olha moço, queira me desculpar, mas prometi que jamais faria este tipo de negocio, o meu Tonho foi à ruína por causa de sociedade, pois foi roubado justamente pelo filho de seu maior amigo, que inclusive era o seu afilhado, foi o Tonho que levantou a família dele. Por causa disto acabou tendo um enfarte e morreu de desgosto e na miséria...

__Bom. Se vocês perderam tudo porque temer então?! Se não der certo o único a perder serei eu, pois o segredo da receita se houver, este fica contigo, a senhora entrará apenas com a mão de obra.
__Mas porque tanto interesse pelos meus doces?

__Esqueci de me apresentar, meu nome é Silvanes, e por coincidência eu tinha uma padaria, mas como aconteceu com o seu falecido marido, também fui ludibriado pelo meu sócio, e para piorar ele era meu próprio irmão.

Ainda bem que eu tinha um lote em um lugar bem distante na periferia foi o que me salvou, pois o vendi para pagar dividas, sobrou quase nada, mas dá para começar um novo negocio, e Deus tá falando comigo que pode ser com a senhora! Isto é! Se a senhora aceitar!

__Bom. Se você está falando de Deus, quem sou eu para contra dizê-lo?

No inicio Donizete estava um tanto receosa, mas acabou concordando, havia muita sinceridade no olhar daquele rapaz, além do mais como ele mesmo disse, ela não tinha nada a perder!...

Silvanes tinha um senso muito apurado para conhecer uma pessoa talentosa, foi vencido apenas por um coração amoroso e desejoso de ajudar um irmão problemático, e logo que viu Donizete teve de Deus a intuição que aquela velha mulher seria uma resposta para seu coração que tanto confiava neste mesmo Deus. Só não entendia o porquê a traição logo de um irmão.

 No fundo o que ele não entendia era o fato de seu irmão ter uma índole tão negativa, já que de Deus teve a resposta que os Judas continuam por aí sempre dispostos a trapacear, mas que ainda que falhos devam sempre ter uma chance e foi o que ele fez com o próprio irmão que em resposta o trapaceou... 

“Somos escravos do nosso caráter, de nossa índole, e disto colheremos nossos frutos.”

Faz parte da sublimidade do verdadeiro cristão estender a mão, pois seus princípios devem ser pautados na essência dos preceitos de Jesus Cristo, e o perdão divino é como uma brisa vespertina, ou como o sol que nasce radiante após uma noite chuvosa. (MT. 5: 38 – 45)

Neste texto existe uma questão um tanto polemica onde muitos ironizam o fato de Jesus ordenar que se ofereça a outra face á aquele que esbofeteia a uma.

“Se bateres na minha face, ou foi, porque me tornei pusilânime, a ponto de merecê-lo, ou foi, porque és biltre, a ponto de eu não querer rebaixar-me para revidar.”

Voltando a Donizete,
Silvanes acertou em cheio, pois além de pudins, Donizete fazia as mais surtidas iguarias, ele mesmo teve que manter a vigilância, pois era tanta guloseima que estava perdendo aquele corpo atlético, além de que levava uma tapa após o outro nas mãos todas as vezes que rondava o balcão, Donizete o adorara como filho, e nunca uma comunhão foi tão esplêndida...

Passaram-se oito anos e os dois já contavam com uma rede de lojas e estavam abrindo uma em um requintado shopping Center, Silvanes mostrou que existem pessoas dignas, obrigava Donizete a ficar a par de toda contabilidade de sua empresa.


ADMITI-SE

Certa jovem muito bonita com o olhar um tanto abatido averiguava se o endereço conferia com o anunciado no jornal, precisava como nunca daquele emprego para sustentar sua família.

Pois o seu pai perdera toda fortuna em jogatina, tornou-se um ébrio o que o levou a morte, sua mãe assim que viu que o marido caíra em desgraça abandonou toda família e foi-se embora com outro homem, deixou para traz quatro filhos sendo Eliza a mais velha...

Por várias vezes não tinham o que comer para quem teve uma infância de farturas aquilo era cruel e quantas vezes elas chorara as escondidas deixando de se alimentar para servir seus irmãos mais novos, pensou em se prostituir, mas seu coração não queria vender-se a fazendo deitar com um estranho, no fundo ela como num conto de fadas sonhava e esperava o seu príncipe encantado e vivia desta volátil, mas sincera utopia!...

__Bom dia...
__Bom dia! Em que posso ser útil?
__É que eu li no jornal que vocês necessitam de balconista...
__Você é muito bonita! Poderia conseguir coisa melhor! Qual o seu grau de instrução?

Donizete e Silvanes estavam literalmente diferenciados da época em que se conheceram, há pouco mais de oito anos, ela agora andava sempre bem alinhada, sem aqueles vestidos paupérrimos. Havia colocado dentadura postiça, tirado aquele velho e surrado lenço da cabeça e exibia seus crespos cabelos muito bem cuidados. 

“Hoje os salões fazem verdadeiras mágicas” e sem querer desmerecê-la, os cabelos dela eram muito mal cuidados!

Silvanes havia deixado crescer uma barba sempre muito bem cuidada, já os cabelos que eram longos e encaracolados, agora se moldavam em um belo corte social típico de um gentleman executivo.

Eliza conta toda sua historia a Donizete que fica perplexa e ao mesmo tempo sensibilizada com toda a tragédia que se abateu sobre aquela família, mas assustada ainda ficou ao constatar que o pai de Eliza era o mesmo que levara seu velho Tonho a ruína e consequentemente a própria morte. 

__Olha minha querida! Vou submetê-la a testes corriqueiros, mas creio que você se sairá bem!...

Donizete sentiu-se feliz com a sua decisão, pois Eliza não parecia mais a mesma, começou como balconista rapidamente foi promovida ao caixa e posteriormente a secretaria, tornando-se o xodó de todos, pois estava sempre pronta a ajudar, sempre prestativa, o que acabou cativando o chefe que se enamorou profundamente pela jovem...

__Donizete. Não se você percebeu! Mas estou apaixonado por Eliza e nós começamos a namorar, ela evitou no inicio, mas por fim viu que era Deus que estava unindo os nossos caminhos...

__Olha Silvanes, como estou feliz por vocês dois! Tanto você como Eliza se tornaram os filhos que eu nunca tive, mas cuidado para não magoá-la...

__Eu jamais faria isto!...
__Me perdoe pelo que eu disse, é que ela já sofreu muito!
__Eu sei disto, foi Deus quem a colocou no meu caminho...
__Nosso! Você quer dizer!...
__Engraçado...  Às vezes tenho a impressão que a conheço de algum lugar!...

Donizete ficou calada, pois sabia que Silvanes tinha razão, Eliza era uma daquelas moças que recusara o pudim logo quando os dois se conheceram dentro daquele metrô!...







Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. -João, 3:16-

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