sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

AVE MARIA

 Lembro-me da redundância
de uma oração repetitiva
que parecia mais um mantra
cujo em um cântico
minha mãe as vezes aos prantos
proferia o que a feria
entre frases repetidas
tão vazia sem amor
ela rezava e rezava
mas não falava de sua dor .

E no cântico de menino
que após ouvir o sino
que tocava na igreja
eu trazia a certeza
da inocência de minha infância
de ver minha mãe sempre a rezar
com muitas lágrimas no olhar.

Eu olhava pra imagens
enxergava as miragens
de um sonho tão volátil
em meu mundo já hostil.
de moleque de favela
pés descalços sobre a lama.

Mas o tempo foi passando
e com o tempo fui crescendo
e com este tempo me perdendo
neste mundo tão hostil
enquanto perdia a inocência
já não era tão menino
eu já não ouvia mais os sino
era outro o meu hino
como outra era a minha imagem
em tão lúgubre mensagem...

E a imagem em silêncio
viu minha dor e eu sem lenço
via o enterro da minha mãe
que morreu sem ver a luz
ela morreu sem ter Jesus!

Sua ausência qual doença
aumentou minha carência
que me veio com inclemência
e para minha incoerência
a mim mesmo fiz violência.

Fui pras drogas fui pro álcool
me perdi no meu futuro
e fiquei sem o passado
que viveu sei rotulado
como escoria um desterrado.

A sarjeta foi meu canto
e num canto sem o encanto
sem eu ter nada de santo
em silencio o meu pranto
de absinto foi meu cântico,

meu tormento era tanto
e por tanto no entanto
com a dor que sempre aflora
como eu clamei sozinho!

Me doía o espinho
e rezava todo dia
no vazio sem alegria
e no silêncio da imagem
eu não tive a coragem
de mudar o meu conceito
engendrei-me no defeito
e o vazio do meu peito
se encharcou de utopia
não ouvia a ave Maria
das seis horas que dizia
numa voz tão melancólica
que minha mãe antes ouvia
a oração que lhe dizia
da lembrança que me ardia...

De uma mãe doente e pobre
que toda tarde me morria
enquanto estando à beira rádio
sempre ouvindo ave Maria!...

A cada vez que embriagava
no vazio eu olhava
e com lágrimas o regava
ninguém via eu chorava
como louco eu clamava
mas ninguém me escutava.




Foi um vento que passou
e minha vida avassalou
fui alguém que sei errou
que ao vício se entregou
e sem ter a solução
se feriu no coração
e seu grito foi em vão.

Mas na hora da minha morte
vi alguém mudar minha sorte
seu amor me foi tão forte
hoje ele é o meu norte
e ainda que sei fraco
Jesus Cristo me faz forte
ele vive
e vive em mim





Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, 
 para que todo aquele que nele crê não pereça,
 mas tenha a vida eterna.
 -João, 3:16-

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