segunda-feira, 30 de maio de 2016

A maldição das drogas.


















Vale dos leprosos

Maldito vale dos leprosos
por onde ninguém quer passar
vegetam escórias rejeitadas
em que vidas humilhadas
de pessoas abandonadas
pelo vício segregadas.

Onde finda-se a jornada
e os sonhos não existem
onde vivem execrados
comumente ignorados
onde há peste fome e dor.

Onde a falta de amor
onde os olhos do Senhor
se comovem em tanta dor.

Maltrapilhos andarilhos
perambulando a vegetar
e se entregam por um trago
e se vendem pela peste
e se tornam cafajestes
perante uma sociedade
tão hipócrita tão omissa...

Onde o padre faz o sinal da cruz
o pastor não fala de Jesus
não os vejo empenhados
caminhando lado a lado
neste vale de leprosos.

Há tão poucos que o fazem!

E os políticos engomados
escondem o estigma dos viciados
pela maioria deles são ignorados,
mas são promessas nas eleições
em demagogas preleções...

E a polícia muitas vezes
tão viril com cassetete
avassala com a peste
e exercem a violência
a quem pede a Deus clemência...

Vejo o vale dos leprosos,
em cada cidade existe um
e em cada um existe vários
que vegetam nestas trevas.

...Eu me olho no espelho
mesmo com meus olhos tão vermelhos
não aventuro-me neste vale
não extirpo todos os males.

Óh, meu Deus!...
Dai-me graça e condição
me ajuda a ser cristão
que arregaça suas mangas
e chafurda neste vale
se impregne no mau cheiro
para emanar o seu perfume
resplandecer todo teu lume
neste vale de leprosos
onde já não mais se vive
e se vive é por um trago.

Trago uma dor dentro do peito
ao olhar para este vale
e ver tantos se humilharem
eu nada poder fazer
só estou a escrever,

que há vidas neste vale
mas que já não vivem mais!...



Vivemos uma epidemia que pode ser chamada de pandemia já que há muito deixou de ser uma questão nacional esta peste que avassala levando uma imensurável quantidade de pessoas ao vício.

Questões sociais, estruturais, governamentais, enfim!
Tentamos a todo custo encontrar a razão de as drogas estarem recrudescendo cada vez mais, e é justamente nesta hora que eu me torno antipático, mas necessário, pois sou renitente no sentido de dirimir qualquer filosofia que faça apologia ao seu uso.

Há muito caiu a máscara do romantismo psicodélico que teve sua prole nos anos sessenta nos alucinógenos festivais de Woodstock em que o movimento paz e amor colocava os jovens da época nus e sedentos tanto por sexo como por drogas.

Esta brincadeira tornou-se tão séria que muitos mitos que na época apregoavam o uso dessas mesmas drogas acabaram por ela envenenados e muitos morreram de overdose!

Morreram eles, mas não morreram os seus ideais que não somente contaminaram a sua geração, mas, em uma espécie de maldição hereditária, levaram cativos os seus filhos e, de geração em geração, as drogas recrudesceram de forma terrível e com ela a violência.
Juntando-se isso tudo a uma criação débil como a do adolescente Téo, e quantos como ele vivem por aí fazendo vítimas e mais vítimas, o que nunca se justificará.

Jovens cuja infância vem adulterada, deturpada por conceitos pragmáticos egocêntricos individualistas, o que tem sido outra pandemia, já que a nossa linda juventude quer seja aqui ou em outra nação sofre uma paulatina anarquia em que se sentem senhores de si mesmos para fazerem o que bem entendem, e o efeito colateral disso é a violência generalizada, sem sombra de dúvida.

Assistimos tudo e só gritamos quando presenciamos alguma atrocidade, alguma barbárie, mas depois de tudo calmo voltamos para a mesma letargia enquanto a violência no recôndito dos subconscientes prepara outra vítima, para que nós novamente venhamos alardear, alvoroçar para depois nos acomodarmos novamente neste maldito círculo vicioso.

 Obviamente não posso ser injusto, muitos arvoram a bandeira desta luta inglória, tanto contra a violência como também contra as drogas, porém, ao vê-los, lembro-me da história que ouvi sobre um velho professor que gostava de caminhar pela praia.

 Certa manhã, ele depara-se com um jovem que incansavelmente pegava estrelas− do− mar que estavam na praia e as arremessava de volta para a água, e ao ser indagado pelo velho sobre o porquê de tão persistente atitude o jovem lhe respondeu:
− É que o sol vai esquentar, e elas morrerão se permanecerem aqui.
Um tanto cético, o velho replica:

− Mas existem milhares e milhares delas, e não tem jeito de salvar todas!

O jovem lança mão de mais uma estrela− do− mar e exclama:
− Pelo menos para esta aqui tem jeito!
Então o velho professor arregaça as mangas de sua camisa e começa a ajudar o jovem.
Sinto-me como o jovem dessa história, e o meu coração se faz em constante clamor.
 Senhor!

Sei que não posso mudar este mundo, mas pelo menos me deixa tentar!

Texto do livro
Síndrome das drogas
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Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. -João, 3:16-

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