quarta-feira, 22 de junho de 2016

Farrapo humano, II parte.












O  ÉBRIO.


Pai!...

Afasta de mim este cálice
que lentamente destrói a minha vida
e me encharca e me humilha
me humilha me envergonha
expondo a minha nudez
deixando-me sem a moral!...

Afasta de mim este vomito do diabo
esta maldita essência macabra
este liquido tão sórdido
que em violência violenta a gente
que faz do são um demente
e da família!

Algo que se humilha.

E de um projeto
apenas dejeto
nas vozes que ecoam
vozes que zombam
vozes caçoam
imprimindo
o estigma
o rótulo


...O ébrio.

 *********

Depois disto eu só me lembrava de ir a igreja quando estava bêbado, ingressei-me em Alcoólicos Anônimos, mas infelizmente interrompi a programação, e o meu grau de alcoolismo foi só aumentando acabei tornando-me um alcoólatra inveterado.

...E de tão dependente consenti que “amigos” rapassem a minha cabeça a troco de uma garrafa de cachaça, eles fizeram a maior farra, e com isto a gilete acabou ferindo com cortes finos e cumpridos o meu couro cabeludo, evidentemente o sangue manchou minha cabeça e como eu acabei perdendo o sentido de tão bêbado, este sangue secou sem que fosse limpo o local...

Eu não sei como fui para em casa, se foi alguém que me levou a verdade e que de madrugada acordei sedento e ao chegar ao lavatório para beber água assustei-me terrivelmente com a minha horrível aparência.

Parecia mais aquele tio Chico da família Adams, em volta dos olhos era roxo por causa da bebida, o rosto todo inchado, para se ter uma ideia!
Um dos meus apelidos era fofão, um boneco com enormes bochechas de um antigo programa infantil, a cabeça esbranquiçada pela falta do cabelo, mas com manchas enegrecidas de sangue que saíra das feridas causadas pela gilete...

Aquilo finalmente me deixou muito chocado, para mim estava tudo acabado...
E não é exagero eu tinha um desejo mórbido de exterminar com a minha vida...
Mas uma voz mansa falou comigo na calada da noite...
__Eu te amo muito! Não beba mais!...

Houve uma paz tão grande em um coração tão massacrado, tão humilhado, eu sabia que era Jesus eu senti aquela voz quando fui pela primeira vez à igreja, e agora ela falava novamente de uma forma mansa e humilde...

Não!... Não houve nada sobrenatural transcendental! Eu não sei explicar! Parecia a minha própria voz de tão intima que me era, porém sobressaía alheia aos meus pensamentos, e falava de dentro da minha própria existência...

A longanimidade de Deus é indescritível, porém ainda assim, eu não me entreguei literalmente aos cuidados deste Deus...

Eu ia igreja esporadicamente, passei a frequentar os Alcoólicos Anônimos na mesma proporção, vivia sendo rechaçado, a sociedade de um modo geral não aceitava que eu consegui emergir-me de uma vida tão abjeta, quantas não foram as vezes que me vi tentado a voltar a beber, mas a mesma voz silenciosa falava em meu coração:

__Filho!... Não beba nunca mais!... Eu te amo muito!


Continua...




Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. -João, 3:16-

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