sexta-feira, 24 de junho de 2016

Rosa negra

Um dia eu perguntei para o meu silêncio, o porquê a vida passa tão rápido, e o silêncio me respondeu com outra pergunta.

__Porque Ele veio aqui para te salvar, se a vida passa tão rápido?

Então eu perguntei novamente ao silêncio, porque os meus se foram mostrando-me que não eram assim tão meus.

E o silêncio me respondeu com uma outra pergunta:

__Porque Ele deixou tudo o que tinha, e veio por quem nunca lhe amou?

Indignado com o silêncio que nunca me respondia com uma resposta satisfatória silenciei-me ao som do meu silêncio para que ele entendesse que eu estava insatisfeito com tanta disparidade, com esta vida que converte as nossas esperanças em passado...

...E no silêncio do meu vazio um vácuo me gelou a alma e a angustia da falta de resposta deixou-me a incerteza de uma efêmera vida sem lógica já que perdido em minhas perguntas fecharam-se uma possibilidade cognitiva.

No meu protesto gelado e silencioso que sutilmente rebelava-se em sua insurreição, afundei os meus olhos para o chão e quis fazer da minha apologia uma razão para arvorar a minha filosofia que ligava coisa alguma a lugar nenhum.

Liguei o meu velho e confiável aparelho de som para ouvir as melancólicas musicas que traziam a lúgubre historia de um passado que na verdade nunca deixou de ser o meu presente, onde eu descontente reportava-me na dor no masoquismo que jazia em mim na falta de amor.

E o amor que eu nunca tive veio trazendo-me uma rosa negra com o fétido odor do desespero.

O silêncio que havia em mim silenciou a sua voz e razão de meu estado deplorável de vegetação onde decrépito abstrai-me catatônico com uma vontade de exaurir-me dirimindo assim qualquer possibilidade de olhar para o amanhã e ver que o céu não é cinzento.

Queria estar no Big bem para asseverar com segurança que tudo não passou de uma infeliz explosão cósmica que implodia o meu coração.

Voltei-me ao espelho e vi as primeiras rugas e em meio a estas rugas vi o caminho por onde passaram os meus entes queridos que hoje tornaram-se apenas dolorosa lembranças.

Por mais que eu não queira admitir é triste saber que também irei partir para um rumo desconhecido em que eu no meu ceticismo fiz questão de ignorar.

Para onde vão os pássaros que imigram no inverno, eu os vejo parti?

Dizem que voam para sul, mas eu nunca fui lá para vê-los chegar.

Para onde vão as almas que traçam rasantes voos silenciosos em seus espectros corpos mórbidos, gelados, que desafiam a nossa capacidade de compreensão.

...E depois de muito relutar entre o paradigma um tanto niilista que paradoxalmente me tornavam um energúmeno com incógnita de um futuro no qual que rotulei de volátil utopia!

Do mais profundo silêncio sussurrou quase inaudível, mas que deu para ouvir nitidamente uma voz calma e suave!...

__Estou aqui!...
Pronto pra te ajudar!...
Eu não quero nada,
Eu só quero te amar!...

Era a voz de Jesus Cristo, mas eu não quis ouvir a voz de Deus!...






Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. -João, 3:16-

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