segunda-feira, 2 de maio de 2016

Corações avassalados.

 Castelo de areia.

Eu fiz um castelo tão lindo
mas a onda veio e o levou!...
Era um castelo de ilusões
cujo sonho acabou.

Eu quis irar-me com o mar
ao ver a onda o levar
eram pequenas minhas lágrimas
diante da imensidão deste mar.

A vida é como o mar
às vezes tão calma
e vai sossegada
flutuando vai alma,



às vezes é bravia
outrora fugidia
às vezes é tão triste
sem nenhuma alegria,

mas ela sempre foi vida
vale mais do que um castelo
vale mais do que um sonho
viver é tão belo.

E a dor que me invade
quer no peito arder
amanhã vai passar
deixarei de sofrer.

Sou mais sublime que a dor
eu sou da essência do amor
e o amor é tão forte
bem mais forte que a morte

e quem tem esta sorte
que valoriza o seu coração
ele ainda que chore
sofra por uma ingratidão

é maior que angústia
pois se torna a esperança
de quem perdeu sua fé
e hoje morre aos poucos

pois se acha infeliz
e se esquece de quê
traz em si o dom maior
pulsa em seu peito a vida.

Ela mais que um castelo
muito mais que um sonho
e se o sonho se foi
sei que a vida ficou

e ficou pra sonhar
vale a pena esperar
para ver o sol nascer
amanhã é outro dia!...

Vale a pena viver!

pois a vida é um vinho
de inigualável sabor
e quanto mais for maduro
mais saboroso é o teor

pois assim é o amor
que envelhece dentro da gente
somos recipientes
de tão nobre teor.

O teor do amor.

...Mas o vinho melhor
derramou-se da cruz
ele encharca nossa alma
este vinho é Jesus.

Quem beber desta luz
suportará sua cruz
vencerá toda dor
vai vencer com o amor

e depois da vitória
saberá que sua história
vale mais que um castelo
um castelo de areia...




Um dia eu estava voltando de uma viagem e, abstraído, contemplava a paisagem que passava por mim de forma silenciosa...
Eu fiz uma analogia com a vida já que a vida nada mais é do que uma viagem...
Para uns, tão longa!
Para outros, tão abrupta!
 Mas esta viagem subjetiva direciona a cada um de nós o foco e, dependendo do caminho em que nos predispomos a seguir, teremos na janela de nosso assento a paisagem que escolhemos de acordo com o caminho que traçamos.

...E a deslumbrante paisagem que eu contemplava pela janela do meu mundo convertia-se subjetivamente em sorrisos de pessoas que um dia passaram por minha vida, mas ficaram lá atrás em seus sorrisos abstratos e agora me enchem os olhos de lágrimas...

Às vezes a vida é tão ingrata!

Por que discutimos com as pessoas que tanto amamos. Ah, se soubéssemos o quanto elas nos são importante, jamais cometeríamos o sacrilégio de desagradá-las...
Quantas vezes eu quis voltar atrás e com um buquê de flores e um vasto sorriso nos lábios pedir perdão, dar um abraço apertado e dizer eu te amo...

Quantos leitos tão vazios?!
Quantos peitos tão feridos?!
Corações avassalados!...
Chafurdados no passado.

Quantos homens e mulheres
hoje vivem mal-amados?!...

Quanta dor que não tem volta, mas existe o futuro, se não se pode concertar o passado, melhor começar tudo de novo, e tentar sempre esquecer um vento que passou, e levou para o passado, nos deixando chafurdados, no presente preterido, a olhar para janela uma paisagem assim tão bela, que amanhã será passado.

E, na viagem do meu mundo, contemplo com o olhar tão perdido, esquecido na dor de um passado em que sorrisos abstratos trazia mais vida e fazia-me sonhar com um futuro mais feliz!

Abraços que dei, amados que abracei, lágrimas que chorei ao ver partir em silêncio e no silêncio permanecer como a parte tão tristonha que envelhece o meu ser, tornando um pouco mais vazio o meu viver!

Quando me lembro das tolas, fúteis e inúteis discussões onde nenhuns de nós tinham a razão e agora tão sem sentido em que eu estou sentido a falta que me faz, os momentos que poderiam ser de paz.
Nós caminhávamos juntos na mesma direção e sonhávamos o mesmo sonho cujo um vento forte que passou e abruptamente levou todo o sonho que era lindo, somente a ilusão me restou.

E no sorriso abstrato de um rosto tão distante sigo triste claudicante, tentando me levantar e quem sabe talvez até...

...Quem sabe talvez até voltar a sonhar!...
 Pois já nem sei se um dia...
Eu voltarei a amar!
Eu te amo.
Frase que perdeu o seu sentido, frase que perdeu o seu teor. Sou amor sem amor, sou amor que ama pela metade, pois a minha outra metade não está mais aqui.

 Em que eu me vejo tão só a caminhar claudicante, sem horizonte converto as minhas lembranças em uma canção melancólica que entoa a minha triste caminhada, que tornou-se hipotética jornada, não estás comigo na estrada...

Vou...
Como um pássaro ferido que foge do frio do inverno, sou ave que foge do augúrio inferno que significa a vida sem você.
Tanto tempo e tanto amor!
Tanta tristeza tanta dor
E o vento que te trouxe
Foi o mesmo que te levou...

Vou...
Aprendendo a entender as coisas que na verdade eu morrerei sem saber, morrerei sem entender.
Mas caminharei para que o tempo me distancie deste tempo que agora jaz em lamento em que sou apenas uma folha seca soprada pelo vento, arrancada de sua árvore a seguir um caminho sem norte, e a única certeza é que encontrarei a morte, e nem mesmo sei se este é meu azar ou se a morte será a minha sorte.

"Texto extraído do livro Síndrome das drogas"


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